Vai idade!

Esticar a face, malhar aos 60 e cuidar patologicamente da alimentação, são as atitudes escolhidas pelos hedonistas e amantes desta pele rudimentar que encobre nossa alma. Para eles, o exterior sempre jovem é um amuleto que traz consigo uma felicidade perene, que mais tarde se mostra efêmera, quando a química já não é tão mais forte que a força da gravidade. A vaidade, portanto, só existi para esconder a verdade milenar de que odiamos envelhecer.
 
Mais que uma aversão espontânea à velhice, o que nos impede mesmo de encará-la com naturalidade, são os padrões universais propostos e sutilmente impostos a todos nós, que estabelecem, desde tempos imemoriais, a falsa conclusão de que uma vida feliz somente pode ser alcançada através da beleza exterior. Para tanto, nos é dito que o processo gradativo de envelhecimento da vida deve ser encarado como uma tendência ao esgotamento do belo, ao enfraquecimento do forte e ao fim consequente e derradeiro da satisfação pessoal.
 
“Vai embora idade!” é o grito daqueles, que não só vivem das passarelas ou fotografias, mas de todos nós, apaixonados por esta vida terrena de aparências, tendências e inconsciências. Você não vive e nunca viveu para você mesmo. Pense só durante um momento sobre o porquê intrínseco de alguém pretender usar somente roupas de marca, não por sua qualidade, mas pela sua simbologia.
 
Por que uma pessoa, em pleno juízo, gastaria 5 ou 6x mais (estou sendo modesto) do seu dinheiro para comprar uma camisa – que serve exclusivamente para tampar e proteger o peito, o abdômen e as costas – que traz consigo apenas um jacarezinho bordado e colorido no canto superior esquerdo de sua frente? Este indivíduo faria isto onde ninguém conhecesse a Lacoste? Faria o mesmo em uma terra de cegos? Não! Ele o faz para ser lisonjeado pelos olhos alheios, a fim de possuir uma aprovação mais do que econômica, isto é, uma aceitação estética de suas relações imediatamente mais próximas.

A mídia, sobretudo, capitalista, forma você para viver em sociedade. A sociedade, por conseguinte, é formada de pessoas que assim como você, já foram escolarizadas pelas mídias anteriores. É como disse George Orwell: "A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa". Tudo isto tem a ver com a vaidade, com o repudio ao “tempo na pele” e com o desgosto fatídico em nossos aniversários, que tentamos esconder com velas de “?”.

Já ouviu dizer que mulher não gosta de falar a idade? É verdade! Saiba que somente uma mulher em todas as genealogias da Bíblia teve sua idade contada e publicada para o mundo: Sara (Gn 23:1). É notável, portanto, que as mulheres são mais violentadas por esta falácia da mídia do que os homens. No entanto, todos são atingidos por esta ideologia, que é tão antiga como Sara, e que desde a mesma, tem envelhecido com as gerações, porém sem morrer com nenhuma delas.

Natal

Não importa o dia em que ele nasceu neste mundo. Importa o dia em que Ele nasceu em mim.

Kombi velha

“Jesus voltará!” Para alguns, é uma falácia sórdida da história; para outros, uma estória mítica e cultural. Mais que um líder religioso, um rebelde político ou um filósofo oriental, Jesus teria sido na Palestina, o primeiro homem a atribuir a si mesmo uma suposta divindade concreta. Nenhum louco e nenhuma criança até ali havia se posicionado de forma tão altruísta. Jesus trouxe espanto, aversão e morte ao contexto Judaico do primeiro século. Sem opções, este era o carma de um messias rejeitado não só em seu tempo, mas em toda a sua viagem de retorno para a “casa”, que já perdura ousados dois mil anos.

Nem Harry Houdini ou David Copperfield conseguiriam hoje reproduzir por meio de truques, o que os Evangelhos Sinóticos narram a respeito dos milagres de Jesus. Nenhum erudito que se preze atualmente se ofereceria para criar réplicas de respostas tão sutis, coerentes e transformadoras, como as que Cristo dava em discussões nos caminhos de seu ministério. Ninguém, nenhuma celebridade, por mais amada que seja, pode ressuscitar ao terceiro dia de seu confinamento eterno de morte. Se o “Jesus Histórico”, como era chamado pelos racionalistas do séc. XVIII, realizou todos estes feitos e, a partir deles, tem poder para retornar à Terra, como poderíamos provar? A Bíblia é um encadernado de papéis, organizados e escritos pelo homem – e cá pra nós – papel aceita qualquer coisa [...].
Sem dúvida, o início do ateísmo contra o Deus judaico-cristão se dá com o resultado do fato narrado em Mateus 28:11-15. No entanto, dar evidências do retorno de Cristo através da Bíblia e de documentos históricos é infantilidade apologética e trabalho inútil, pois como disse o Dr. Philip Schaff, “os incrédulos raramente são convencidos por argumentos; porque as fontes da descrença estão no coração e não na cabeça”. Por isto, não é meu intuito aqui massagear o ego humanista de céticos que se alimentam de argumentos e teses parciais para repudiar a fé. Meu desejo neste compêndio é apenas retratar através de uma fonte indiscutível que está chegando o momento da ira de Deus.

Nem os Maias, nem Nostradamus e nem Jesus, enquanto encarnado, sabiam do momento exato do fim (Mt 24:36). Por conseguinte, eu também não faço ideia do mesmo, porém, estava ciente de que não seria em 21/12/12, pois se existi uma coisa que aprendi com Salomão é que “o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma cousa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” (Ec 1:9,10). Aprendi com a História, portanto, que se alguém disser que o fim se dará em determinado dia, tudo poderá acontecer neste dia, menos o que disseram. Dormi em paz em Dezembro.
Mas reafirmo o postulado: Jesus está voltando e não há como negar. Está vindo como se estivesse numa Kombi antiga, que velha já não anda tão rápido, mas que, por seu motor já conhecido, dá sinais audíveis e visíveis de que se aproxima; a fumaça e o barulho que ela emite são fontes indiscutíveis de sua chegada. Não é diferente com o Cristo: “E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.” (Lc 21:11); “E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.” (Lc 21:25); “E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumo.” (At 2:19).

Se compararmos estes textos com as informações de cientistas a respeito de fenômenos contínuos e não naturais que se fazem presentes de forma crescente já a algum tempo em nosso planeta, conseguiríamos cruzá-los para concluir a veracidade da contemporâneidade das afirmações bíblicas. Contudo, digo novamente que não vou usar a Bíblia. É inútil para convencer os convencidos. Mas pensando bem, não vou também relatar aqui as estatísticas do aumento de terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, do Aquecimento Global e etc. Desisto de traduzir dados de gráficos que demonstram o crescimento destes fenômenos para dar base a minha crença de que estes são os sinais da parousia de Jesus, ou seja, de sua segunda vinda. Não me parece honesto fazer isto, até porque estas informações técnicas da Ciência se encontram em tratados científicos, e estes ainda são escritos em papeis que, assim como a Bíblia para os céticos, também aceitam qualquer coisa.

Pra não dizer que não falei de demônios

Falar deste assunto é como invocar para si uma autoridade Neopentescostal, que dá nomes, expulsa, entrevista e se relaciona com estas entidades diretamente. Realmente, não era para tanto. Porém, há também outro extremo preocupante: as igrejas “reformadas” repudiam a ênfase deste tema de tal forma, que, sem sentir o exagero de tal repúdio, acabam por ignorar e subestimar a existência de um Reino do Mal – com letra maiúscula mesmo – presente e influente no mundo, que sucumbe e aprisiona, não só pessoas, mas sistemas e sociedades em uma ideologia de indiferença.

De fato, não há guerra espiritual, pois a existência desta implicaria em uma aparente disputa justa de forças, e neste caso, não lutariam dois deuses, mas um Deus do bem e uma criatura do mal. É certo também que o corpo humano comporta apenas dois espíritos em seu casulo, o do próprio indivíduo e o do Espírito Santo ou o de algum espírito maligno. Daí, então, a conclusão óbvia é que nos verdadeiros crentes, “o Mal não toca” (1Jo 5:18). No entanto, a sugestão mais plausível é que ainda fiquemos em guarda (1Pe 5:8; Ef 6:10-16), pois não nos atingindo fisicamente, as correntes nos pés destes espíritos vão até aonde os nossos olhos podem ver e nossas mãos podem tocar. Portanto, os demônios podem sim possuir o comportamento de cristãos.

Desta perspectiva surge a importância vital de se discorrer a respeito deste tema. Além de pessoas, o Diabo está da mesma forma em músicas, games, filmes, seriados, novelas, revistas, livros de autoajuda, igrejas, animais, objetos, e até na Bíblia, como tantas igrejas insistem em ignorar. É interessante pensar no racionalismo aparentemente bíblico com o qual estas igrejas estão contaminadas. Se algum membro alienado destas instituições observasse os mesmos casos diante dos quais Jesus se deparou, todos seriam encarados e classificados como fruto de distúrbios mentais. Mas o médico dos médicos não dominava apenas a Psiquiatria.  

Ele expulsou espíritos em Cafarnaum (Mc 1:23-27), afastou os demônios do geraseno (Mc 5:1-14), o qual nenhuma camisa de força conseguiria segurar; subjulgou o capeta de uma criancinha (Mc 7:24-30), de um jovem possesso (Mc 9:14-29) e curou uma mulher com uma doença de coluna causada por um espírito de enfermidade (Lc 13:10-13). Agora você acredita nisto ou ainda acha que isto é coisa do R.R Soares? Crentes intelectualizados assim, com certeza, jamais conseguiriam concluir que um impedimento como o de Paulo pudesse ser uma ação do próprio Diabo (1Ts 2:18).

Infelizmente, mesmo diante desta compreensão, ainda pede-se licença nos púlpitos para se mencionar, e só quando a Bíblia menciona, o nome genérico destes anjos caídos, ou seja, os demônios. Há a necessidade sim de se dialogar a respeito deles. Jesus falou 10 vezes mais do inferno do que do céu e mais dos anjos do Diabo do que dos de Deus. O motivo é simples: Ele não veio para nós, já selados com o Espírito Santo, mas para os doentes, os quais a Igreja deve se empenhar para alcançar (Mt 9:12,13). O dom de “discernimento de espíritos” às vezes servirá para isto (1Co 12:10). E é através dele que as igrejas históricas precisam enxergar que todos os homens a se pescar, são, de um jeito ou de outro, possuídos em potencial.

Minas de Salomão

Pergunta: Por que Salomão tinha tantas minas de ouro? (1Re 10:14-21)

Resposta: Porque ele tinha 1000 minas para sustentar (1Re 11:3)

Conclusão: Nem tudo é o que parece. Agora você entende porque Deus ordenou a monogamia? (Gn 2:24). Elas nunca foram fáceis.

Dois mundos

À direita do ônibus,
Olhos nas janelas,
Lá fora os indigentes,
Nas calçadas da favela.

Olhavam e desolhavam,
Conversavam e disfarçavam,
Olhavam e se escondiam,
Olhavam e não contiam.

Realidade além do ônibus,
Outra vida, outra história,
Um destino diferente,
Agora posto na memória.

A cena é de cinema,
Já foi capa de revista,
Assim, o crime e o crack,
São comprados só à vista.

Cada passageiro,
Com uma opinião,
Sociologia na cabeça,
Nenhuma solução.

Rodas rodam mais depressa,
De um jeito anormal,
Pisa fundo o motorista,
Pra não virar cartão-postal.

O pesadelo já passou,
Alguns agradeceram,
Mais um dia, outra vez,
Todos esqueceram.

Fábrica de chinelos

É contestável que o Evangelho transforma. A forma na qual somos criados e pela qual passamos a existir quando somos concebidos, é pautada em um certo orgulho transcendente de vida. Sentimos após a consciência da idade, uma presença interna de algo único e intransponível: o “Eu”. Mas posteriormente, este sujeito identificado e desenvolvido, passa a gerar soberbas autoestimas em nós, o que nos interioriza e nos transforma em indivíduos. Daí, o Evangelho só pode nos destransformar.

Apenas, única e exclusivamente Jesus pode trazer-nos a humildade, as sandálias de pau, os chinelos que simbolizam a ausência da elite, dos aplausos, dos elogios, do tapete vermelho. Só Ele - um Deus conosco - lavando os pés de seus discípulos (Jo 13:4,5), pode lavar nossos olhos para nos mostrar que ainda somos como a neblina que aparece e logo se dissipa (Tg 4:14), que nossas justiças são trapos de imundícia (Is 64:6) e que não passamos de cacos de barro (Is 45:9).

O Reino de Deus, portanto, é uma indústria que fabrica pessoas de verdade, como deveriam ser, ou seja, gente gentil de coração, simpática de alma, humilde de espírito, que pode se achar apenas como a última Coca-Cola de uma boa adega de vinhos. Crente desta estirpe é quem o Pai procura para lhe adorar (Jo 4:23). Ele não quer filactérios alargados ou franjas alongadas (Mt 23:5), nem deseja orações na praça (Mt 6:5) ou jejuns inconsequentes (Mt 9:14,15). Deus apenas caça como um caçador faminto, pessoas que reconheceram sua condição precária e dependente de Graça.

Destransformar o "super-homem", então, é uma ação espiritual das “Boas Novas”, que traz consigo implicações de vida prática e conceitual. Ser formado do pó da terra não é uma composição química muito superior nesta Terra. Que lembremo-nos disso pelo menos na hora de morrer, e que batamos no peito hoje, não com o significado pejorativo da atualidade, mas com a compreensão histórica do publicano frente à do fariseu (Lc 18:9-14), que o fez assumir sua posição de pecador, obtendo assim o Reino dos Céus e sua, enfim, glória e exaltação (Mt 5:3).

Deus no octógono

Ao que parece às igrejas neopentecostais, Deus concede um poder de super-homem aos novos convertidos, algo como o raio de Zeus para os mortais. “A oração tem poder” é um jargão evangélico arcaico e mais poderoso que a própria oração, pois ao mesmo tempo que esta é, de fato, apenas um instrumento para invocar os desejos de Deus, nós, através deste provérbio, a transformamos em um “feitiço contra o feiticeiro”, pois a usamos rotineiramente para encurralar Deus no octógono, com o propósito de retirar o cinturão de Sua vontade.

Esta queda de braço é antiga, porém tomou um corpo mais tangível com o advento do Neopentecostalismo. Determinar a bênção, marcar hora para o milagre e requerer direitos supostamente adquiridos, é, sem margem de erro, se posicionar como quem é superior à divindade invocada, que, para tanto, passa a ser serva e funcionária de quem esfrega a lâmpada. A oração, neste sentido, é um método intelectual para manipular um deusinho bom e submisso, com argumentos fatídicos de que, não os pedidos, mas as imposições realizadas, são o melhor para quem está do outro lado da linha. Lembro-me das palavras insensatas de um homem chamado João Batista, que se dizia o profeta desta nação: “Se Deus não te der a bênção, nós subiremos e daremos uma bicuda na porta do Céu, entraremos e tomaremos a benção.” Tal chute não seria um golpe de MMA?

Isto acontece por todo o lado; por todos os 8 lados do octógono espiritual para o qual desafiamos Deus na pós-modernidade. Mas a verdade é que Ele não se presta, como o gênio da lâmpada, a realizar os nossos desejos e nem está à nossa disposição como este está em suas estórias e romances. A oração é um ato de humilhação para se dizer a Deus que nada se pode fazer, e que não se pode nem terminar a mesma oração sem o agir constante Dele. “Contudo, não se faça a minha vontade, mas a Tua.” (Lc 22:42), foi o que o próprio Jesus disse em angústia e aflição no caminho de sua morte. Apesar do sofrimento efêmero, ele tinha a certeza de que o Pai, dotado de uma eternidade de experiências, conhecia o final derradeiro daquela história, pois era ele mesmo o seu próprio designer. A evidência incontestável é que o Cristo ressuscita ao terceiro dia.

Deu certo com Jesus! Sempre vai dar quando agirmos como o mesmo. Isto significa que precisamos aprender com ele, pois sua vontade era que aquele cálice de sofrimento passasse de fato. E se Deus o atendesse naquele momento? Meus pecados não estariam perdoados e, portanto, este texto nunca seria escrito por mim. Você, por conseguinte, jamais leria um artigo no qual estivesse a palavra “Deus” em seu título. Portanto, a vontade Dele é a única coisa à qual devemos identificar e considerar diante do que queremos. Nossa ilusão é pensar que estamos observando uma lógica em nossos projetos, de tal forma que não haverá falhas ou surpresas, de maneira que não precisamos de outra vontade além da nossa, e de modo com que os nossos caminhos e pensamentos fossem maiores que os Dele (Rm 11:33). Depois olhamos para trás, e percebemos que nada poderia ser diferente do que Ele queria.

Às vezes, Ele parece demorado e tardio em nos defender (Lc 18:7), mas tal fato é só fruto do nosso ponto de vista. O único motivo pelo qual Ele sabe o futuro, não é porque ele é Deus, mas sim pelo simples fato de que é Ele quem o cria, e que por isto, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam.” (Rm 8:28), ou seja, Ele constrói o futuro baseado em nosso amor para com Ele. Então só ame, só chore, só peça, só clame, só se derrame perante a Sua grandeza. Deus não é manipulável, nem convencível, e não pode ser usado em nosso favor. Chega de chamá-lo ao octógono para dizer o que deverá ser feito. Você não faria isto com o Anderson Silva, não é mesmo?

Seu besta!

A pior das bestas não é a que surge da Terra ou a que emerge do Mar, mas sim a que tenta interpretá-las de forma literal.

Ou uma ou outra

Dizer que Deus se revela até hoje, é o mesmo que afirmar que Moisés profetizava ao povo com uma Bíblia nas mãos. A existência, portanto, de um meio de revelação, exclui cabalmente a necessidade de outro, porque ao contrário do que se pensa, nós estamos em melhores condições que Profetas e Apóstolos, pois estes sofreram a desgraça da confusão, da ignorância e da dúvida perante seus sonhos e visões, que a eles foram revelados, e que a nós são explicados (Mt 13:17).

Mortos?

Inexistindo, em qualquer idioma, um vocábulo mais específico para tratar dos que ainda não vivem em Cristo, Paulo, sem nenhuma saída, os rotulou categoricamente como “mortos”. No entanto, estes homens, marcados pela omissão de uma palavra adequada pra classificar sua situação, jamais viveram para morrer e, portanto, nunca morreram para tornar a viver.

Natureza Na dureza



 Planta que come bicho,
Bicho que come planta.
Ave que canta tanto,
Tanto que encanta o canto.
 
Canto do ser humano,
Cidades de pedra e pau,
O mano cara de homem,
É natural, é animal.
 
Mas mata o verde da Terra,
E enterra a vida da mata.
Mas bicho nunca faz isto,
O homem, então, é um pirata?
 
Vem cheio de argumentos,
Faz couro de Jacaré.
Diz que é necessidade,
O que dirá pro Jacaré!
 
Da Terra jamais cuida,
Como Adão, o jardineiro.
E de tudo o que se come,
Só não come o seu dinheiro.
 
Destrói uma floresta,
Constrói uma orquestra,
De prédios faz moradas,
Nos palácios, suas festas.
 
Este é o homem,
Um bicho engraçado,
Que se diz o racional,
Que se mostra um desalmado.

Verdadeiro motivo


O único motivo pelo qual Deus sabe o futuro, não é porque ele é Deus, mas sim pelo simples fato de que é ele quem o cria.

Eu

As duas letras unidas e sequenciais que formam o título deste texto, dizem respeito ao maior homicida da espiritualidade que habita em cada um de nós. O “eu” de mim mesmo, é quem sempre me impediu de compreender a ironia do Evangelho, ou seja, o discurso de que devo viver em favor dos outros, conforme a mente alheia, me importando, sobretudo, com as convicções dos “eus” que estão fora de mim.

Testemunho é uma palavra banalizada pela ideia de que este é apenas um sinônimo do compartilhamento de experiências espirituais. Testemunho na verdade, é, de fato, um sacrifício ascético do crente, que pode literalmente agir de forma lícita em alguma ocasião, mas que assim não procede, pelo fato da consciência de que sua ação pode se tornar um escândalo aos olhos de quem a presenciar, seja um irmão ou não. Não foi por outro motivo, que Paulo, um artesão de vidas e de tendas, resumiu tal assertiva: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.” (1 Co 10:23)

O Evangelho está cheio destas coisas. Jesus substituiu o “pode” e o “não pode” pelo “depende”. Ele não trouxe uma nova lei fria, como a que transformou o antigo conserto em uma aliança com defeito (Hb 8:7). Ele concedeu uma regalia a todos os cristãos, algo de que os judeus nunca desfrutaram: o direito a uma avaliação racional e espiritual, para definir o próprio comportamento em situações simples ou complexas. Daí, toda ação pública dos crentes, precisa ser balanceada junto a conceitos culturais, sociais, morais e religiosos de um determinado lugar, durante determinado tempo. Isto é a ética do Reino, que julga todas as coisas, retende o que é bom, e priva o outro de toda a sorte de confusão ideológica.

A maior prova do amor ao próximo consiste nesta abstinência. Deixar de ingerir álcool, de fazer tatuagem, de ir a algumas festas, de usar certas roupas, de ouvir determinadas músicas, são atitudes maduras de alguém que avalia o seu contexto e o texto sagrado. Nenhuma mulher no Brasil precisa entregar seus brincos a Jacó (Gn 35:4); nenhum homem em Israel tem de tirar seu Kipá para orar a Deus (1 Co 11:4). Os apóstolos ordenaram que ninguém mais fosse circuncidado (At 15:5-11), mas logo em seguida, Paulo circuncidou a Timóteo (At 16:3). Incoerente? Não, coerentíssimo! O apóstolo dos gentios estava criando um nexo com aquilo que ele havia de escrever aos Coríntios: “Ninguém busque o seu próprio interesse e sim o de outro.” (1 Co 10:23,33). Paulo procedera daquela maneira, por causa das opiniões dos judeus.

Este é o espírito da coisa, o Espírito do Evangelho. Porém, infelizmente, ainda existe uma enorme quantidade de cristãos contaminados pelo que chamamos de Lairribeirismo, que diz: “O que as pessoas pensam de você, não é problema seu, é problema delas.” (Lair Ribeiro). Este individualismo prático consolida o egoísmo e nos torna participantes de direitos que não existem, como o de viver sem se importar, e como o de se importar sem se abster. Você deve prestar contas a quem tem a mente fraca. Você deve acolher o legalista e o liberal com sabedoria, sem culpá-los pelo extremismo adotado. Já dizia o velho Batman, o zelote de Gotham: “Não é quem eu sou por dentro, mas sim o que eu faço, é que me define.” Definitivamente, você é o que as pessoas dizem por aí.

Entre Joios e Trigos

Servir ou ser visto é a maior confusão dos crentes na Igreja do novo milênio. Não se consegue mais compreender o paradoxo de Jesus, que diz ser o maior, aquele que se dispõe a servir. Lavar os pés uns dos outros com o melhor perfume, não perfuma mais os nossos interesses. A igreja se tornou um orfanato de irmãos desconhecidos, reunidos por uma fraternidade egoísta.

Servir implica em um relacionamento de humildade, de um auto-posicionamento abaixo, e simultaneamente, acima de quem é servido, objetivando suprir necessidades, firmar certezas e alimentar a fé alheia, pois assim como os braços não andam e os pés não pegam, todos os membros do corpo de Cristo também são interdependentes. Ser visto é uma prática de individualização espiritual, de um membro que quer auto-existir fora do corpo, que pretende se edificar, se engrandecer, e ter comunhão apenas com os títulos, ministérios, cargos, mídias, e demais fontes de êxito social perante o mundo evangélico.

A maior diferença entre o Joio e o Trigo consiste nesta disparidade. Paulo não havia lido o Livro da Vida, mas através de frutos de serviço, acabou por concluir que os nomes de seus companheiros e colaboradores, lá estavam escritos (Fp 4:3). João não elegeu nenhuma Igreja para a salvação, porém diante da mesma conclusão de Paulo, declarou eleita a destinatária de sua segunda carta (2 Jo 1:1,13; 3 Jo 9). Não há outro elo ou sinal na plantação que nos faça discriminar estes dois elementos, a não ser o produto de suas práticas e convicções em relação aos outros.
 
Quando falamos em outros, nos referimos principalmente aos da família da fé (Gl 6:10), mas de forma alguma, podemos excluir do rol de nossos atos de piedade, os que ainda não fazem parte deste escopo. Detesto ouvir o discurso aparentemente intelectual de cristãos que se dizem socializados, e que portanto, não dão esmolas e nem ajudam física ou economicamente moradores de rua, “indigentes” e pobres em geral, com a desculpa desumana de que se assim procederem, irão inibir a livre iniciativa de trabalho ou contribuir com a manutenção de realidades criminosas. Sugiro a estes sociólogos da Igreja, que se candidatem à Presidência da República, que sejam eleitos e que mudem todo o sistema. Mas enquanto isto não acontece, o que existe é o pobre, e Jesus não disse que este precisa de avaliação sociológica, mas sim de tratamento, doação e misericórdia. (Mt 25: 35-40)
 
Não estou argumentando em favor de uma alienação cega, no sentido de que não se deve avaliar os receptores de tais “esmolas”, mas sim em detrimento de um justo serviço a quem precisa de roupas para vestir e de alimentos para existir. Isto é, em última instância, a essência da Missão Integral. No entanto, este tipo de pensamento "socializado" não é o pior, pois existem alguns crentes que não entendem, mas até atendem ao princípio de se doar, e conseguem, mesmo que em colapsos momentâneos, servir como o bom Samaritano. A diferença é, que posteriormente a este ato, há sempre um sensacionalismo estratégico da parte destes "servos", que tocam trombetas e pedem aplausos a si mesmos, fazendo com que suas obrigações se tornem um favor, e com que suas ações se tornem fotos, vídeos e propagandas de vida com Deus. Isto gera consequentemente uma invalidação antagônica do valor do serviço realizado, caracterizando mais uma vez, a postura de um Joio.
 
Nenhuma árvore produz frutos para si mesma, e muito menos a sua sombra é para o seu próprio descanso. Jesus quer que, sobretudo, comunguemos erros e desgraças; quer que sejamos um corpo, onde a boca assopra a ferida do braço, e onde a mão massageia as dores da perna. Não há corpo sem este comportamento de auto-estima. Ter dons espirituais é ter para os outros; é ter a posse, mas não o direito; é ter a causa, mas não o efeito. As boas obras e não só as obras, simbolizam a existência de uma boa árvore. As boas árvores e não só as árvores, produzem frutos dignos de sua essência. Colher o Trigo e queimar o Joio não é tarefa nossa, mas conhecê-los e discriminá-los é o mínimo para sermos ou não irmãos.

Confissões de um guloso

Nem só de pão vivo, mas de toda a palavra que exala da boca de Deus. E digo sempre a Ele: alimente o meu espírito com o seu Espírito, mas continue alimentando também a minha fome de me alimentar de ti. Para tanto, deixe-me farto, porém jamais satisfeito de sua presença. Esta é a minha reza, a minha oração que se repete todas as manhãs.

Adoro refletir sobre a existência de Deus, e é óbvio que perguntas sempre surgem. Mas duvidar às vezes é bom, é proveitoso; pois foi assim, que em algumas vezes na vida, possuído pela síndrome de Tomé, fui confrontado com respostas reais, surpreendentes e até visíveis, que me foram postas e propostas por Deus. Daí, foi inevitável o prazer de ouvi-lo, senti-lo e experimentá-lo deste jeito. Viciei em desafios como este.

Bebi muito leite até aqui. Sou fruto da ingestão de muita Lactose espiritual depois de convertido.  Mas agora, como um glutão faminto de fé, e paradoxalmente já perdoado por esta gula, posiciono-me de forma agradável e prazerosa para ouvir o meu Pastor, para ler os teólogos e pregadores Dinossauros da pós-modernidade, e para repetir, como um gravador quebrado, as palavras dos heróis da fé, que consolidaram a história da Igreja.

Sou um vaso sem fundo, em busca de vinho novo para sanar as minhas velhas rachaduras de ontem. Sou um imenso apreciador do sabor das sagradas letras, que em meu paladar pitoresco, são mentalizadas em direção à prática. Penso em como desvalorizamos a posse da Bíblia que temos a nossa disposição: barata, às vezes grátis, comentada, colorida, figurada e etc. Imagino a Bíblia para a Igreja na Idade Média, uma “palavra de Deus” somente para monges que dominavam a língua Latina, e que burocraticamente, possuíam permissão para lê-la. Agradeço por estar em um país laico, onde não me é imposta nenhuma barreira para sentar aos pés de Jesus, e escutá-lo falar na boca e na voz de seus novos discípulos.         

Já participei de um banquete hoje, com orações, comunhão, muita Escritura, e não menos importante, o partir do pão. Amanhã quero mais, com certeza! Buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, consiste apenas em se alimentar desta mesa farta, ornamentada pelo Rei todos os dias, ao meio dia, à meia noite, no momento que você desejar. Pois quem não mata a fome, a fome mata, quem não mata a fome, some, e quem não mata a fome, a fome come. Isto é o que tem acontecido com cristãos, que se acostumaram com a loucura do Evangelho, e que com ele não mais se empapuçam, como no primeiro amor. Confesso que neste sentido, sou um guloso frenético.

Doce revolução

Todo o esforço é vão. Toda a desgraçada tentativa de continuar tentando entender, se torna desastrosa. Jesus lhe convida para uma doce revolta espiritual, onde você guerreará consigo mesmo, sem, contudo, entrar em guerra, e pela qual não serão necessários atos abruptos de auto-flagelo, para alcançar uma vida com sabor de graça e graça com sabor de vida.

Uma revolução como esta, implica em preenchimento, em paz de dentro para dentro, de forma que o “eu” fique sempre cheio do Espírito, e portanto, vazio de si mesmo. O “aceitar” deste convite, nada  mais é, que uma entrega sem precedentes ao maior revolucionário das eras, que destronou os jugos desnecessários de seus predecessores, e trouxe um caminho de verdade e vida para este mundo tenebroso.

De fato, é um descarrego, do único que pode descarregar a carga carregada de dores existenciais que pesa sobre nós. Jesus te condena à graça, à escravidão à liberdade e ao paradoxo de só se tornar o maior, aquele que se dispõe a servir. Ao longo deste processo, ele precisará destruí-lo com todas as peculiaridades do antigo homem, morto em suas cavernas escuras de pecado, para enfim construir um novo ser, criado pela renovação da mente e pela metanóia do Evangelho.

Esta era a verdadeira intenção do carpinteiro Jesus, um artesão de vidas: mostrar às pessoas que o reino de Deus não é um remédio para ausência da dor, das contradições e dos fracassos, mas sim um império de analgésicos espirituais e de consolação para todas as manhãs. Não foi por acaso que ele mesmo as convidou para uma dança eterna de contentamento, com a intenção de aliviá-las de seu cansaço de existir, da loucura de ser e da infelicidade de não compreender o sentido de tudo isto.

Sinta hoje o prazer doce desta ditadura. Ela é leve e amacia as nossas mazelas. Ela desconsidera as nossas culpas e deixa patente aos nossos olhos, uma nova consciência diante do que somos e de porque somos. Há um propósito informal de Deus para nos libertar de nossa Matrix, isto é, para nos tornar cativos de Suas cadeias, porém agora sem grades. O intuito é nos fazer nascer de novo, em um mundo real e espiritual de repostas e soluções para algo, que só depois desta revolução iremos conhecer: a vida.

VALDEMIRO SANTIAGO

Em nome de Deus, mais um fala,
Em nome da paz, a Igreja se cala.

Em nome do Estado, é Democracia,
Em nome da Bíblia, é profecia.

Em nome do Diabo, mais um instrumento,
Em nome dos adeptos, mais mandamentos.

 Em nome dos crentes, não se pode julgar,
Em nome de Moisés, se deve matar.

 Em nome da Receita, mais um ladrão,
Em nome dos ouvintes, a salvação.

 Em nome da Teologia, um falso profeta,
Em nome do dízimo, mais uma meta. 

Em meu nome, o começo do fim,
Em nome de Jesus, apartai-vos de mim.

O problema da ausência

Responder a chamada é o mais importante. Estar presente, nada mais é para alguns, do que cultuar e estar, de fato, em comunhão com Deus.  Não se pode faltar a nenhum culto, e principalmente os líderes cristãos, que devem assinar os seus nomes na lista de presença das reuniões religiosas e exteriorizadas de nossas Igrejas.

Mas eu não aguento, acabo gritando: não vou me vender ao sistema judaizante da visibilidade, da presença externa, física e superficial. Não vou alongar as minhas franjas e estender os meus filactérios. Orar na praça não é a minha; desfigurar o rosto, a fim de ser visto pelos homens, não faz parte da minha liturgia diária e individual. Quero estar em todas, mas em espírito e em verdade. Pois do contrário, estarei oferecendo sacrifícios de Caim, cultuando os bezerros de Arão e ofertando como Ananias e Safira.
A Igreja cristã, sob o olhar de seus irmãos fracos e inconstantes, se tornou uma mesquita, onde se ajoelha sistematicamente em nome do Alá evangélico. A presença nas cinco orações diárias, é fundamental para a manutenção da fé, da santidade e até da salvação, pois no caso de ausência, além do castigo divino, corremos o risco de sermos julgados pelo inconsciente coletivo dos olhos atentos de todos os presentes. Insuportável ausência de liberdade!

Daí vem o senso insensato da multidão: o comer diário da Palavra e as orações na beirada da cama não são tão importantes assim. Todos querem ver você em ação, sem compromisso algum com a recompensa que o Pai te dá em secreto, isto é, sem a preocupação com a sua real e categórica vida espiritual. Querem que você seja mais um dos que se prostram displicentemente nos bancos e dos que vivem equivocadamente nos púlpitos; não querem saber de sua alimentação da Palavra, nem de suas compreensões de vida cristã; desejam lhe perguntar apenas por que não estava cantando ou onde estava no momento da pregação.
Chega deste controle melindroso! Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. Fazer isto, implica em duas concepções: a primeira é que “adorar em espírito”, exclui a necessidade de lugar, roupas, datas e horários para o mesmo, ou seja, você pode fazê-lo onde, com quem, quando e por qual motivo quiser; a segunda diz respeito à verdade, ao propósito que te leva à adoração, isto é, ela pode ser prestada mediante um desejo, uma conveniência, uma gratidão ou infelizmente também, por um medo subconsciente de não ser visto por aqueles que se julgam seus irmãos e que julgam seus irmãos. Insuportável escravidão!

Que pena! Não conseguimos, depois de tantos anos de Reforma Protestante, consolidar uma reforma cristã e pneumática em nossos conceitos hebreus de aparência. Vivemos aparentemente de aparência. A Bíblia debaixo do braço, as vestes sociais pseudossantificadas, as cantorias, os cumprimentos evangelizados, o evangeliquez pronunciado e a presença religiosamente sistemática nos “templos”, só me levam a uma indagação: será que faríamos o mesmo em uma terra de cegos?  Em um lugar em que não fôssemos observados?
Não seja servo dos olhos alheios. Exceto o testemunho, o que as pessoas pensam de você, não é problema seu, é problema delas. Siga as pegadas de Jesus, e adore no templo (você) e no tempo que quiser; pregue nas sinagogas; leia a Bíblia nos montes, ore nos vales e no Getsêmani de seu quarto. Comungue sua fé com verdadeiros irmãos e descanse quando necessário. Seja crente, mas seja gente. Se relacione com incrédulos. Visite locais seculares. Seja sal NA Terra e luz NO mundo. Ir à Igreja, é uma pequena parte importante do Reino de Deus; as outras estão lá fora, clamando pela sua presença.

O gigante acordou

É no embalo da propaganda institucional "KEEP WALKING, BRAZIL", da maior fabricante de Whisky escocês, a Johnnie Walker, que conseguimos conceber visivelmente que o Brasil não está mais adormecido como antes, e principalmente quando o observamos de um ponto de vista político.

O Brasil já não é mais visto somente como o país do Futebol ou só como o lar da Amazônia, do Carnaval e de lindas praias para as férias de Janeiro. Atualmente, ele está alcançando níveis extraordinários de respeito internacional, como o país que empresta, que discute, que pacifica, que desenvolve e que faz tudo isto priorizando a sustentabilidade; e não é por outro motivo que por aqui, a Presidente Dilma Rousseff atingiu a maior aprovação presidencial de todas as pesquisas já realizadas pelo Datafolha, e com apenas um ano e três meses de mandato. Daí, concluímos: está se espreguiçando na América do Sul, um gigante político, uma nação em busca da transparência pública, de uma ficha mais limpa e de ORDEM E PROGRESSO, como diz a bandeira.

O governo FHC trouxe-nos bases sólidas; o ex-presidente Lula, do Planalto ao Brasil, ergueu uma integração entre empregabilidade quantitativa e renda mais qualitativa. E é para tanto que os nossos governantes atuais, perceberam o clima favorável: é hora de implantar UPPs, de construir uma saúde acessível e mais diplomática através do SUS, e de consolidar uma educação futuramente retornável ao país. O Brasil acordou! O inconsciente coletivo dos brasileiros está de bem com a vida, transpirando auto-estima, e cheio de Samba no pé; mas quem não estaria? Diante de reparos expressivos em sua estrutura e tão próximo da Copa e das Olimpíadas dentro de casa?

Todavia, este avanço precisa ser uma melhoria continuada, e não apenas um falso sinal de aparente evolução. Portanto, agora, depois de se espreguiçar e de lavar por inteiro, aquele antigo rosto conhecido do mundo: o de país corrupto e corruptor, será necessário visualizar a resolução de outros desafios, sendo o fio condutor e o principal deles, uma barreira interna e completamente ideológica: é que quando se fala em política aqui, o senso comum bate mais forte, e boa parte da comunidade torce o nariz ao invés de torcer pelo país, demonstrando assim uma aversão aos governos passados, presentes e até futuros; e fazendo de si um povo anti-político, que vota porque é uma obrigação, pois se votar fosse apenas um direito como alguns cientistas políticos defendem, não seria preciso nem urnas, nem filas nas eleições do Brasil. Entretanto, esta atitude também é uma "corrupção", pois transgride o compromisso e a responsabilidade social de indivíduos, que deveriam ser a princípio, cidadãos patriotas. O sucesso e a felicidade, portanto, ainda não nos alcançou por completo.

Daí, a verdadeira idéia de "política", reinvenção greco-romana, que é a organização positiva e produtiva da Polis, ou seja, da "Cidade", precisa ser priorizada urgentemente, através de sua disseminação e de seu ensino dirigido, por meio de uma campanha educacional do governo federal, que mesmo em médio e em longo prazo, será o melhor investimento para aguçar algo que todos têm dentro de si, pois como disse Aristóteles, "o homem é um animal político". É preciso que os brasileiros abandonem o senso de que fazer política é "fazer politicagem", é ser maquiavélico e egocentricamente pragmático. Só através de um projeto como este, de abrangência nacional, com uma influência superior na consolidação cognitiva dos alunos da rede pública, e usando meios e ações acessíveis principalmente à população de baixa renda, é que será realizada mediante um ato preventivo, a formação de humanistas e de uma sociedade reflexiva e interdependente. Por conseguinte, esta estruturação concorrerá para criar, de uma vez por todas, um caráter filantrópico em nossas crianças, adolescentes e demais estudantes, e que consequentemente, se tornarão os futuros benfeitores de nossa política nas décadas seguintes.

Ainda há corrupção nos órgãos do governo, é verdade! Ainda há mazelas básicas na sociedade a espera de ações corretivas, como em boa parte dos países emergentes. A diferença é que aqui, a legislação em um âmbito geral, pretende-se tornar mais rígida, e um exemplo de tal fato, é a proposta original do novo Código Florestal. A mídia televisiva, mesmo diante de sua anti-democracia e de suas extrapolações, também tem levado a público a ilegalidade de alguns atos administrativos, e o processo de mitigação das falhas e da incompetência política, periodicamente está sendo debatido e almejado, como fator principal de eficiência governamental, que como fato recente, podemos citar a saída histórica de sete ministros do governo Dilma, a maioria sob suspeita de irregularidades.

Somos a sexta economia do planeta. Contudo, é necessário dizer que: ser otimista, não é ser ingênuo; e ser brasileiro, não é ser um idealista, enganado por utopias e melhorias inalcançáveis. Possuímos muito, muito potencial! Entretanto, para continuarmos com tal poderio e para alcançarmos frutos eficientes através de seu uso durante os próximos anos, será preciso priorizar cada vez mais o desenvolvimento sustentável, procurando a satisfação das necessidades básicas da população, a solidariedade para com as gerações futuras, a preservação dos recursos naturais e a manutenção dos valores éticos, entendendo, sobretudo que nenhum país alça vôos significativos sem a cobrança, a companhia e a iniciativa da sociedade civil. E é através do projeto nacional apresentado, de conscientização política, que os brasileiros compreenderão e começarão a participar mais positiva e ativamente das diretrizes do Estado, e concluirão também que eleger bem já não é mais o suficiente. A partir daí, podemos dizer que será necessário menos indiferença e omissão do povo brasileiro, para que enfim ele possa mostrar ao mundo que o que faz um gigante não é apenas o seu tamanho, mas principalmente o tamanho dos passos que dá.

Desabafo

Chega! Cansei de pecar. Cansei de tentar parar e só conseguir pecar tentando continuar.
Estou farto da imperfeição que aperfeiçoa o meu conformismo.
Chega de mim, de mim assim: um corrupto e corruptor.
Estou exausto da Teologia que inocenta Adão e que ao mesmo tempo o coloca em regime semiaberto. Ele peca por amor e eu me torno pecador?
Dor? Nem me fale! Não me liste suas consequências. Engane-me por favor!

O pecado... é uma desgraçada piada sem graça pra mim.
Na verdade, fadiga! Isto é o que eu sinto. Estou cansado de decepcionar o Deus dentro de mim. Enfim...morri!
Morri de desgosto porque vivi morto, morto todo este tempo cavando a minha sepultura,...e qual é o sentido de tudo isto?!
É existir assim: limitado, ignorante, falho e perfeitamente imperfeito?
Chega de motivos para transgredir e de transgressões para motivar.
Quero o meu nirvana. Mas o que adianta querer?
Não quero só ser como Jesus. Quero ser ele...personificado em mim.

O que ainda posso escrever? O que ainda você poderia ler?
Está tudo corrompido! Não há nada imaculado!
Vá para casa e se esconda do mundo. Não se preocupe com mais nada.
O mundo também já se escondeu de todo mundo, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Que saco! Que inferno!
Só quero ser perfeito, isto é defeito? Talvez seja, porque tudo que quero me faz imperfeito.
Então não adianta falar nada, querer nada e escrever muito menos. Perdi meu tempo aqui!

Não quero mais pecar, errar ou matar a graça que pousou em mim.
Quero agradar o salva-vidas do meu afogamento. Desejo presenteá-lo todos os dias!
Mas como vou fazer isto? O Pecado é algo delicioso, que me enche de Serotonina.
E portanto sempre canto pra ele:
“Delícia! Assim você me mata...” É isto aí! Esta é a verdade por trás de suas gostosuras: a morte.
E por isto...
Nasci e estou morrendo aqui, porque dele, por ele e pra ele são todas as coisas. Você não acha que eu estou falando de Deus né?! Deus não te espaço aqui! O pecado é quem dá as cartas no meu coração, o coração de um pecador.
Chega desta diabose!
Chega de ser gente não-crente, que mente e não sente a tristeza do Espírito Santo.

Cansei de ser o Marlon Teixeira!
Quero ser como um anjo agora,...
Com o sufixo “el” em meu nome e com asas de vitória sobre o pecado, que só batem a serviço de Deus e que só existem para obediência e adoração.
...
Minha alma clama por retidão.
Só quero saber o que é gratidão!

Insuportável

           É insuportável saber que desde os tempos de Assis Chateaubriand e dos primórdios da extinta TV Tupi até os dias atuais, concedemos aos meios de comunicação todo o poder para nos vender padrões de vida feliz estereotipada pela riqueza, modelos de beleza redigidos pela tecnologia e passarelas da moda dos camarins de atores telenovelísticos.
           Parece que nunca haverá uma verdadeira intenção de se retratar a realidade nos veículos que teoricamente possuem este objetivo. O negro, o homossexual, o deficiente físico, o índio, o nordestino, o pobre e tantos outros tornam-se agentes do folclore nacional, personagens de estórias e parlendas que por dó e pena dos diretores das minisséries e novelas, são incluídos em seus roteiros megalômanos e milionários. A verdadeira existência portanto, só existe para os brancos caucasianos, que trabalham em empregos formais, com remunerações superiores a dois salários mínimos, que possuem no mínimo um carro do ano, uma casa própria em um bairro de classe média e uma família normal que se reúna no Natal. Insuportável sutileza da televisão!
            O pior não são os criadores destas histórias, vendidas a preço de atacado. Os ridículos e desperdiçados agentes de toda esta matriz irreal de parâmetros fictícios para retratar a realidade, somos nós, brasileiros naturalizados pela loucura de acompanhar até o fim, com direito a reprises que não valem a pena ver de novo, o final derradeiro de uma novela em que o clímax foi mais uma vez um paradoxo entre descobertas relacionadas à traição, assassinato e comportamentos hediondos de coadjuvantes e a ascensão do protagonista a um patamar de felicidade perante a sociedade, agora que todas as suas mazelas foram resolvidas. Insuportável vazio!
            Contudo, é insuportável suportar a indiferença de todos nós perante a ação mercadológica e fútil das novelas brasileiras, em que cultura, educação, ética universal e moral contextual são fatores raramente retratados nas cidades cenográficas de seus percussores. Não há preocupação com a criança na sala; o desrespeito ao idoso e a venda comercial do corpo e da honra feminina são outras encenações e insinuações que devem ser mitigadas urgentemente. Está na hora de sair do sofá, mudar de canal ou lutar por uma legislação a respeito. De fato, não é difícil dar fim ao problema, ao passo que somos nós que possuímos o controle nas mãos para fazê-lo, literalmente; pois se existe uma coisa na produção televisiva que é bastante clara, é que quando um programa de TV não dá ibope, ele desaparece.

Pecado de estimação

       Não há um justo sequer que não peque (esta é a declaração bíblica). O pecado, em todas as suas ocorrências, ainda precisa ser apenas um acidente na vida de cada crente. Todavia, nós alimentamos as nossas fraquezas mais subjetivas e as nossas limitações mais intrínsecas com o passar da vida e por isto existe sempre uma transgressãozinha lá no cantinho de nossas vontades naturalizadas, que enche os olhos de nossa carne e nos leva a um açougue de desejos, onde cada pecado foi especialmente pendurado para cada um de nós.
          Algumas pessoas têm dificuldades irrefutáveis com a sua sexualidade, outras não conseguem segurar a língua atrás dos dentes; por demais, vejo problemas com insubmissão, falta completa de testemunho, a presença humilde de muito orgulho e bastante facilidade com atitudes desonestas (falo de cristãos). Nasce e se põe o Sol, e nós estamos praticando as mesmas mazelas que tanto nos é peculiar; no momento do ato, seja ele qual for, parece ser a melhor forma de desenvolver Dopamina, Serotonina e Noradrenalina em nosso cérebro; depois dele, só resta cinzas de arrependimento e lágrimas de vergonha perante Deus. Daí, é inevitável se indagar: Mas de novo eu agi assim?
          Se considerarmos a tese que a natureza pecaminosa está presente em nosso corpo e que a natureza regenerada ocupa a nossa alma, poderemos conceber e estender a aflição poética de Paulo a todos os nascidos de mulher: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.” (Rm 7:15-23). Considerando estas palavras, podemos concluir que há de fato confrontos travados nos altares de nossos anseios, que se dividem em propósitos e em essência; podemos também ultimar que vence o desejo mais cuidado, alimentado e massageado ao longo de nossos dias. E é com isto que me preocupo.
          Meu intuito aqui não é dar uma aula de Harmatiologia, mas inferir que não podemos abusar da graça da salvação para nos instalar em práticas pecaminosas, pois “permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6:1-2); “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne;...” (Gl 5:13). O pecado, eu sei, é comum a todos incorporeamente e faz parte de todo o processo de existência de cada um de nós, mas ele não pode de forma alguma se tornar um engajamento rotineiro, de normalidade, assiduidade e constância. Pois, o “SE todavia alguém pecar” de  1Pedro 2:1 nos retorna a idéia de esporadicidade de seu acontecimento. Pecar não pode fazer parte de nosso cotidiano, de nossa vida pessoal ou comunitária, assim como não integra todas as nossas viagens, os acidentes que tanto tememos. Temamos também o “ser pecador.”
          Enfim, além de entristecer o Espírito do Criador, pecar vai além de toda a nossa compreensão de crime e de transgressão social. Imagine você como crente no Velho Testamento: SE você pecasse, você teria que se dirigir ao pasto e adquirir um cordeiro de um ano, macho e sem defeito nenhum, levá-lo para o sacrifício, e depois de amarrado na pedra da oferta, você ouviria os gritos, choros e o ranger de dentes deste carneiro cujo sangue inocente fora derramado em seu lugar. Como crente do Novo concerto, você não passará por esta experiência, mas talvez cruzará piores estacas, pois estará “crucificando de novo para si mesmo o Filho de Deus e o expondo à ignomínia.” (Hb 6:6). Seja em um concerto ou em outro, o seu pecado é uma desgraça e é necessário que você não o acolha como de estimação, não o alimente como faminto e não o customize como parte de você. “Não que você tenha alcançado a perfeição; mas prossiga para conquistar aquilo para o que também foi conquistado por Cristo Jesus.” (Fp 3:12): agora sim, a perfeição.

Tempos e templos

           A Igreja, da forma como é concebida hoje, é sem sombra de dúvidas uma caricatura cristã do antigo Templo e dos tempos dos Hebreus. Nós, do Novo testamento, ainda não conseguimos ou não tivemos a ousada coragem de nos desligar por completo dos aspectos meramente litúrgicos e ritualísticos do Judaísmo. E para tanto, elegemos o nosso sacerdote (Pastor), os nossos levitas (ministros de louvor) e o nosso dia santo (Domingo); o púlpito se tornou um altar, a bandeira de Israel invade os cultos e até candelabros se espalham pelos templos.
            Foi-se o tempo em que Deus se metia em lugares construídos e arquitetados por mãos humanas (At 17:24). Agora nada importa, nem sinagoga, nem tabernáculo, nem templo e nem Igreja...de tijolos claro. Pois a igreja neotestamentária cuja fundação estava na mente e na agenda de Cristo, está sim possui a presença de Deus em seu meio, mas ela é uma situação e não um lugar estabelecido, e a mesma se conclui e só existe quando ocorre a reunião dos discípulos de Jesus e exclusivamente em Seu nome; de forma que quando se despedem os crentes dos chamados templos, estes voltam a ser apenas prédios, sem vida, sem graça e sem Deus. Portanto, a Igreja pode acontecer num boteco, numa calçada e até mesmo em um edifício com placa de igreja.
            Santo é o povo de Deus. Sagrado é o partir do pão e o beber do cálice. Santificado é o batismo na autoridade do nome de Cristo. Mas quando levamos estes valores e atribuições espirituais a ritos religiosos e aos componentes físicos do cristianismo, estamos ignorando o passar dos anos e o andar do tempo, sem falar na divisão que o mestre fez na cruz para não nos ligarmos mais a estes rudimentos e oblações com aparência de rigor ascético. Importa pra Deus que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade, sem uma conexão real com roupas, datas, horários, lugares e etc. O Deus de Israel não mudou. Só não é mais a mesma, a forma como ele deseja se relacionar com o seu povo, depois do ocorrido no calvário.
             A Igreja ainda marginaliza as mulheres, infantiliza os leigos e diviniza os seus guias; um comportamento de mesma proporção aos postulados de valores e costumes dos judeus. Somos israelitas do mundo, e não nos preocupamos com isto. Nos importamos mesmo é com o alargamento dos nossos filactérios e o alongar de nossas franjas (Mt 23:5). O modelo de religião abraâmico e que posteriormente foi sistematizado por Moisés, nos influencia categoricamente em nosso conceito de culto e de vida, quase que sem uma consciência arbitrária para julgar todas as coisas e reter o que é bom.
             Não quero mais ser um menino no juízo, como certa vez disse Paulo aos coríntios. Somos herdeiros de um prisioneiro político e torturado pelos romanos, a mando dos judeus. Por isto, o Deus a quem eu sirvo não tem mais ligação alguma com este povo étnico e essencialmente religioso. O Messias a quem eu me prostro, mesmo que de sangue israelense, nasceu numa manjedoura, morreu sem ter onde reclinar a cabeça e foi cuspido e pisoteado pelos sacerdotes de sua alçada. Não quero mais ser como eles. Cansei de ser judeu.

Money, Money, Money

            Assim como Jesus é a religião entre Deus e os homens, o dinheiro é a religião entre os homens e as coisas que se compram. A diferença é que o primeiro é um ótimo Senhor e o segundo, um ótimo servo.
            No entanto, o dinheiro, do grego "Mamom", tornou-se mais que isto, pois desde o princípio das eras ele transformou-se em um deus também, com letras minúsculas, porém com capacidades maiúsculas; e hoje, ele é uma potestade poderosíssima e escravizadora, e por isto, o mesmo precisa ser colocado debaixo da planta dos pés, não dos nossos, mas dos de Cristo, para que subsista em um estado completo de submissão a Ele, sendo funcionário, empregado e conduzido conforme a Sua vontade, para os propósitos afins da vida, da liberdade e do bem-estar de tudo e de todos.
            Seria de fato próspera a nossa medíocre vidinha, se investíssemos na carpintaria de Jesus todo o poder aquisitivo de bens que possuímos, pois "ninguém é tão pobre que não possa dar nada e nem tão rico que não possa receber." (Dom Hélder Câmara). E fazer isto, não é de forma mesquinha devolver somente a décima parte mensal da remuneração que se obtém periodicamente, pois o Deus encarnado não habita apenas no gazofilácio eclesiástico, mas está presente do mesmo modo no altar dos invisíveis e necessitados, que tanto gemem por roupas para vestir e alimentos para existir. (Mt 25:35-40; Tg 2:15-16)
            Infelizmente, a glória das riquezas ainda está disputando espaço no coração e no bolso de crentes professos, apenas professos, porque sinceramente, "ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas." (Mt 6:24). Não sabem eles que “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, precisamos estar contentes.” (1 Tm 6:6-8)
              Portanto, não priorize o “ficar rico”, pois os que assim desejam, “caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição” (1 Tm 6:9). Todavia, queria ser feliz com a sua riqueza, que é subjetiva, partindo do ponto que só se é realmente rico quando ao mesmo tempo se é de fato feliz. Diga a Deus: “não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o senhor? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o Seu nome.” (Pv 30:8-9). Lembre-se que o Deus do dinheiro (1 Cr 29:12), não é o mesmo que o do amor ao dinheiro (1 Tm 6:10). E não se esqueça que a raiz de todos os males consiste apenas nesta diferença.

Olhos de Deus, óculos da religião

A poucas semanas, uma situação que eu observara, me fez refletir sobre a religiosidade inconsequente e desmotivada de algumas instituições religiosas.

Era tarde na tarde e o Sol já se punha, quando o pai na varanda, viu seu filho aproximar-se do portão. Então perguntou o velho na cadeira:

_Olá meu garoto, já é quase noite, aonde seus pés te levaram durante todo este dia?

O rapaz, sem muitas delongas, respondeu já entrando pela porta:

_Você não vai gostar de saber!

De repente, o pai levantou-se de seu aconchego e foi atrás de seu filho ferozmente, dizendo:

_ Parado aí! Você é maior de idade, eu sei! Mas em quanto viver debaixo deste teto, você deve satisfações a mim.

Daí o filho virou-se cabisbaixo, e querendo retratar-se, falou:

_Desculpe meu pai, não foi por rebeldia que entrei assim, mas só queria te poupar de se decepcionar e a mim de me machucar com seus julgamentos.

O homem ainda sem calma, indagou curioso:

_Mas me de decepcionar com o quê? O que você fez de tão errado assim?

O jovem sem medo e sem culpa, disse a seu pai firmemente:

_Não creio que fiz algo de errado, mas sei que o Senhor e a Igreja a qual frequenta, vão me repudiar muito pelo que fiz...uma tatuagem!

Então o pai,  em um surto de raiva e aumentando o tom de voz, despejou todos os seus argumentos:

_O quê? Você enlouqueceu? Você se esqueceu da educação que te dei? Você não se lembra que nasceu em uma Igreja e que desde pequeno aprendeu que isto é uma arte diabólica, do mundo e que seu corpo é exclusivamente para glorificar a Deus...? (1 Co 6:20)

O rapaz deu um breve sorriso e olhando para o seu pai, respondeu:

_Eu sei, eu sempre soube que meu corpo é para glorificar a Deus, mas o que eu não sabia era como fazer isto. Mas descobri e é por isto que fiz esta tatuagem. Escrevi um versículo em meu braço, e agora qualquer um pode enxergar a palavra de Deus em mim...

O homem boquiaberto com a situação, arregalou os olhos, olhou para baixo e com a mão no rosto, parou por um instante...

Afastou-se um pouco em sentou-se em uma cadeira de sua sala. Seu filho continuou seu caminho para o seu quarto...

Depois de alguns minutos de reflexão, o pai pensando muito no que acreditava e porque acreditava, se convenceu de sua ignorância e agora orgulhoso da conclusão do filho, foi a seu quarto, bateu em sua porta e no abrir sereno do menino, pronunciou as seguintes palavras:

_Eu é que te peço desculpas meu garoto, eu nunca pensei que alguém poderia glorificar a Deus assim, desta forma...Mas agora reconheço que realmente estive mergulhado e cego às proibições da minha religião, sem enxergar ao redor de mim mesmo...Deixe-me ver seu braço. Qual versículo você escreveu nele?

Então, o filho satisfeito da atitude de seu pai, respondeu:

“...porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração." (1 Sm 16:7)

O que a Bíblia não é

Não é bula de remédio:

A Bíblia não é um livro sistemático de recomendações claras e diretas para a vida de quem a lê. Em seu estudo, é necessário ter paciência, observação e interpretação dos fatos práticos que ocorrem na narração de seu conteúdo, para então, tentar reproduzir em seu cotidiano os acertos, as bem-aventuranças e as bênçãos dos heróis da fé, dos profetas, apóstolos e dos demais exemplos positivos para a nossa conduta. A sistematização e a "organização" que muitos querem atribuir e adicionar à Bíblia é uma concepção humana, e por fim teológica de estudo, não fazendo portanto parte de sua essência e profundidade. Já disse e repito: Deus não é sistema e nem sistematiza nada. Isto é coisa de homem, de homem cristão.

Não é receita de bolo:

A Bíblia também não é de forma alguma uma receita de bolo. Em sua extensão não se encontra e nem se poderia encontrar textos que atenderiam a todas as possibilidades de problemas e de questões humanas. Ela responde sim aos questionamentos pivotais da existência e da mente. Mas procurar resposta para todas as minúcias e probabilidades de acontecimentos da vida é infantilidade teológica e trabalho vão. É enxergá-la diretamente como uma receita onde se encontra: ingredientes, modo de preparar, modo de fazer, observações e etc. A consciência cristã, as experiências e o bom-senso sempre estiveram presentes no comportamento de Jesus, porque ele não era bibliólatra como os fariseus e escribas de sua época, que pensavam existir nas Escrituras tudo e absolutamente tudo sobre o bolo (vida) de cada um de nós. Algo como os tradicionais de hoje.

Não é quebra-cabeça:

São muitos os teólogos que para pregar, ensinar ou concluir algo no mainframe bíblico, ficam juntando peças de versículos, meio-versículos, palavras e expressões dos textos para conceber informações e idéias secundárias que nunca poderão ser provadas pela falta de provas reais e concretas de sua veracidade. A cogitação e a manipulação destes pequenos achados acaba deixando a aparência indigestiva de que Deus espalhou segredos, labirintos, enigmas, charadas e de fato quebra-cabeças em sua palavra. Pior fica quando estes estudiosos começam a fundir estas pólvoras teológicas com ciências seculares para construir suas descobertas. Para tanto, cito como exemplo o livro: “O Código da Bíblia”. Daí, está formado o jogo de elos perdidos e a falta total de compreensão do propósito fundamental da Palavra: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil PARA O ENSINO, PARA A REPREENSÃO, PARA A CORREÇÃO, PARA A EDUCAÇÃO NA JUSTIÇA,...” (2 Timóteo 43:16), e não para brincar de pique-esconde com o seu conteúdo.

Não é Mega-Sena:

Quem nunca viu a caixinha de promessas, onde se tira um versículo para cada momento em que se quer a ajuda da palavra de Deus? Ou também o “dedo detector de versículos com auxílios específicos” que é colocado aleatoriamente  na Bíblia para encontrar ajuda nos textos? É como jogar na mega ou na quina. Parece-me que os usuários destes métodos não necessitam ou não desejam ler o texto bíblico em sua inteireza para buscar a vontade de Deus. Não duvido de forma alguma que a Palavra viva e eficaz do Senhor possa falar com quaisquer indivíduos de forma única e objetiva, porém fazer o que descrevi acima é agir de forma totalmente ignorante em relação à leitura das Escrituras.

Não é dicionário:

Ninguém lê dicionário, as pessoas os consultam quando precisam de suas informações. Entretanto, de maneira nenhuma, isto pode acontecer com o relacionamento homem-Bíblia, pois esta última precisa ser manuseada diaria e periodicamente em um parâmetro devocional, sem a consciência de uma necessidade própria para lê-la, mas de amor à palavra, de desejo pela vontade de Deus e de ânsia por submissão ao criador. Não podemos ser como os porcos, que só olham para o Céu quando deitam na lama, isto é, não podemos olhar para Deus somente quando estamos com angústias e aflições, deixando-o de lado quando estivermos em um aparente mar de rosas existencial.

Enfim...

A Bíblia está acima e é diferente de todas as informações que se utilizam da escrita.