Dia do Senhor


Nem Sábado, nem Domingo. O Dia do Senhor será o dia em que a Reforma Protestante não for apenas um símbolo idolatrado de restauração, mas sim a sombra propulsora de reformas que haviam de vir. Neste dia, as igrejas locais entenderão que nasceram em pecado e que foram organizadas na iniquidade. No Dia do Senhor, os crentes se verão como gente em nada superior às gentes que não se veem como crentes. Nele, os "Pastores" evangélicos aceitarão que Paulo (se não desejasse a morte para viver com Cristo e se seu coração prosseguisse batendo nestes dois milênios) continuaria escrevendo cartas de exortação a todas as denominações do mundo. A partir deste dia, os teólogos buscarão a imparcialidade perante o Novo Testamento e enxergarão o dízimo assim como veem o sábado, as carnes impuras, a circuncisão, o templo e o Antigo Testamento; as missões tomarão o lugar da Teologia e a Teologia irá substituir as revelações que só revelam soberbos. Este será o momento histórico em que as igrejas se tornarão "IGREJA" (Ekklesia - chamados para fora) para ir e vir em favor dos doentes. No dia do Senhor, existirão mais "bons samaritanos" do que Doutores em Novo Testamento e mais "Nicodemos" do que Mestres em Divindade, e o caminho, a verdade e a vida formarão a única trindade que deve ser pregada ao mundo.

Mais pesado que o céu

É desejo histórico e preponderante de todos os cristãos, a salvação da alma. Falo, a princípio, de uma salvação em três níveis. O primeiro refere-se a manter-se em hegemonia existencial no mundo presente, com dons paranormais, bênçãos especiais, prosperidades metafísicas e contato com o Criador. O segundo nível e mais estritamente simbólico, leva os cristãos a antever o episódio faraônico do Apocalipse, visto que neste clímax derradeiro, a salvação consiste em não participar dos ocorridos. E o terceiro e último patamar desta aventura transcendental, se dará com o triunfo categórico sobre a morte, em que a vida eterna se tornará uma realidade a todos os veteranos sobreviventes, não sendo mais uma utopia mística, religiosa ou de cunho cultural.

Há, entretanto, na aparência coletiva do cristianismo atual, uma idiossincrasia negativa do ponto de vista soteriológico. Parece-me, quando ouço os púlpitos evangélicos, que Jesus é uma espécie de Rei Midas ou alquimista medieval, que possuía como plano essencial de Messias, trazer-nos, assim como equivocadamente levaram a Ele, o ouro, a mirra e o incenso. Talvez fosse melhor que os magos só levassem até o Salvador naquela manjedoura, orações, clamores, adoração, misericórdias, louvor, humilhação e culto – nada tangível. Cristo não veio nos doar a pedra filosofal ou o elixir da imortalidade para que tenhamos sucesso e êxito em existência consciente. Seu desejo histórico e preponderante é que tenhamos amor – só amor – para com Ele, seu Pai e nossos semelhantes. O amor é mais pesado que o céu.

O amor é que deve ser o nosso primeiro horizonte. A salvação nada mais é que apenas a reação maior do amor que foi imolado antes da fundação do mundo. A salvação é o efeito e não a causa; ela é a consequência final e presente da prática, crença, devoção e de vida em amor. Salvar é o ato de um Deus que é amor antes de ser salvador. Na verdade, o amor é que nos salva. Somos salvos de “não sermos amados.” O amor é que agiu em Deus para que Ele criasse “alguma coisa” para amar. O amor – afirmo em insignificância – talvez seja a única criação de Deus a qual Ele mesmo tem prazer em se submeter. Porém, o amor é mais que simplesmente uma criatura abstrata. Provavelmente ele é, de fato, a coexistência inevitável do criador, que sendo amor, só pode ser Deus quando ama.

Este é “o” (e não “um”) caminho sobremodo excelente. Não há outro. Pois se não tiver amor, pode-se falar as línguas do céu, que de nada valerá; pois se não tiver amor, poderá haver profecias, mistérios e poderes, e ninguém nada será; pois se não tiver amor, ainda que haja obras, sacrifícios e total entrega, nada disso será aproveitado (1Co 13:1-3). O amor pesa mais que o culto hipócrita oferecido pelos “salvos” (Is 1:10-17). E, portanto, o Deus-Amor nos repreende: “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” Não busque a salvação. Busque amar tudo aquilo que pode ser amado. Tudo começa aí. Repare que o ladrão na cruz ama a Jesus primeiro ali, para que depois ele seja salvo através da declaração pessoal e direta do Cristo.

Contudo, ainda parece-me que os cristãos são, por natureza religiosa, seres pragmáticos, que desejam, sobretudo, serem salvos da ira de Deus sobre este mundo tenebroso. Aparentemente, para eles, não há nada além disto. Neste tipo de “crentes”, existe somente o desejo mórbido de descer no bote salva-vidas, sem olhar para o navio social, político, econômico e espiritual que afunda ao seu redor. Vê-se a Igreja Ocidental à espera de um arrebatamento iminente, sem se preocupar com as crianças na África, os conflitos do Oriente Médio e com os sem-teto de suas cidades. Mas será que o prêmio da soberana vocação é mais importante que a própria vocação? (Fp 3:14). E que vocação seria esta? A de um dom ou chamado específico ou a vocação de existir em amor? Afirmo, sem sombra de dúvidas, que Paulo fala da última opção. E digo a todos: nenhum evangélico será salvo, se não tiver amor. Portanto, que o amor invada a todos e faça de todos, amantes uns dos outros e do Deus que é, está, cria, vive e reina em amor.

O Brasil segundo os brasileiros

Sabem da história, dos títulos e da carreira dos 11 convocados para a Seleção. Desconhecem, no entanto, os nomes dos jogadores de um time bem mais decisivo em suas vidas: os dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.

Acostumaram-se a assistir o Big Brother Brasil em Janeiro, que diz a todos que as pessoas normais são malhadas, formadas, belas e brancas, visto que há uma cota implícita de no máximo 10% de negros por programa.
Tudo o que atravessa suas fronteiras, o que pousa no aeroporto de Guarulhos ou o que é trazido na bagagem de algum estrangeiro, aqui é reinventado e se torna idolatria, uso inconsequente, vício frenético, malandragem ou assunto pra VEJA.

Nunca assistiram televisão como fonte formal de informação. Veem só três canais, com audiência maior em programações sensacionalistas, odeiam documentários da Futura, reforçam hidrelétricas para o último capítulo de novelas populares e juram de pés juntos que Pelé e Roberto Carlos são realmente reis.

São totalmente anti-políticos e acham que trabalhar no banco, ser mecânico ou motorista, é muito mais difícil que ser Presidente de um país continental como o Brasil. Insistem em pensar que o vereador não faz parte do Legislativo, mas que sua função é mandar construir muros de arrimo e conceder seu carro para favores à comunidade.
É o país do jeitinho, da pluralidade de etnias e do “entra e sai” de quem quiser. “Nunca desistir” supostamente é uma frase biológica que se acredita existir no sangue brasileiro. Mas na verdade, não significa nada para o comportamento nacional.
É também o único país do mundo a afirmar que Deus é natural de suas terras. “Deus é brasileiro”, nunca ouviu falar? Tomara que os israelitas não levem a mal.
É uma nação que apesar de se declarar democrática e anti-monopólio, possui um partido, um canal de TV e um esporte que dominam os rumos, as decisões e o sentido aparentemente patriota de se viver aqui.
Possui o governo das incoerências, que proíbe jogos de azar, mas que promove os jogos mais azarentos e rentáveis do mundo: a Mega-Sena e suas adjacentes. Mas parece que falta de nexo não é um problema para os brasileiros. Em seus comerciais de cerveja, as únicas mulheres que não bebem esta bebida, devido ao que ela faz com o abdômen, é que são suas protagonistas: “as gostosas!”, como diria qualquer jovem por aí.
É isto. Este é o Brasil segundo os brasileiros. Mas sem falar, é claro, do relacionamento com a Amazônia, com o Carnaval, com as comidas, com as mulheres, com as danças, com as músicas, com as cores e com as praias. E há algum motivo pra terminar por aqui e não falar sobre coisas tão importantes? Óbvio que sim! Se o brasileiro não lê mais que quatro livros por ano, ele leria mais de uma página por dia?